Amém.
sexta-feira, 8 de março de 2013
Dia da Mulher
Não me dê flores só no dia 8 de março. Escolha qualquer um dentre os outros 364 dias do ano e repita a delicadeza mais vezes - de preferência, sempre em datas inesperadas. Me deixe falar de amor. Ou me cale a boca com um beijo. Não sou igual a você. Nem melhor, nem pior. Sirva a minha taça de vinho e façamos um brinde à diferença. Vamos juntos fazer o jantar: você coloca a mesa, eu como. E na hora de dormir, quando o cansaço invadir o seu corpo, abra um espaço nele pra mim. Me acolha e me aqueça de carinho, porque é no seu colo que eu quero morar.
quarta-feira, 2 de janeiro de 2013
Obras
Casamento é uma reforma que nunca se conclui. É preciso aprender a fazer festa a cada cômodo erguido, tomando cerveja no cimento e comendo um churrasco feito nos tijolos da construção.
terça-feira, 16 de outubro de 2012
Finalmente
Provavelmente ninguém vai lhe ensinar isto. Dê um jeito
de aprender, você vai precisar. Saiba desistir, porque em algum momento da
vida isso vai ser necessário. Focar o que é, e não o que poderia ter sido. Colocar
a vida à frente do orgulho. Seus desejos à frente do que os outros desejam pra você. Uma ousadia, um disparate, uma loucura, eu sei. Provavelmente ninguém vai lhe ensinar a entender o que você realmente deseja. Mas dê um jeito de aprender. Em algum momento da vida, desistir vai exigir mais coragem que seguir em frente. Desistir será o mesmo que parar de tentar. E parar de tentar pode ser finalmente o começo.
quinta-feira, 5 de julho de 2012
Porquinho
Ele economiza vida para que lhe sobre mais. Na tentativa de evitar a falta, vive na falta. Se ele tivesse um slogan, seria "Viva com moderação". Pra não gastar.
domingo, 3 de junho de 2012
Cadeado
Trancou
a escritora em casa e foi pra rua trabalhar. Tratou de abrir os olhos e um
sorriso, mas fechou ouvidos e punhos, de modo que qualquer raciocínio escorregasse
pela pele, sem aderência nem eco. As cenas que lhe passavam coloridas não
faziam sentido. A ordem era sorrir e seguir em frente.
Trancada
a pensadora no quarto, pôde seguir na direção do barulho. Tudo para não ouvir
seu turbilhão, ligada num piloto automático que sorria como maquininha de
soltar bolhas. Piada sem graça do cliente, hahaha. Pedido idiota do chefe,
hahaha. Prazo impossível do outro departamento e mais algumas risadas saíam sem
som, quase cronometradas.
Ato
contínuo, chegou em casa ainda sorrindo, embora não soubesse por quê.
Ao
abrir a porta, foi surpreendida por uma mulher aflita, que caiu no choro sem
fim. E enquanto chorava, falava. Eram mais que frases, eram versos. Em
poucos minutos ela já tinha dito um livro inteiro.
Antes
de ouvir a última página, adormeceu exausta. Sem pensar nem sentir.
No
dia seguinte ela acordaria mais uma vez. Para então decidir qual das duas
sairia de casa.
quarta-feira, 25 de abril de 2012
sábado, 14 de abril de 2012
Instruções para desvendar histórias
Coloque o ipod no ouvido. Sente-se num banco da sala de embarque do aeroporto de Brasília, interrompa a leitura do seu livro e observe as pessoas passando. São muitas. Todas têm um destino, uma pressa, uma ansiedade, uma alegria e uma dor. Se o que tocar no seu ipod for dramático, você verá as dores delas. De todas as cores, da roxa e da rosada. Se a música for em francês e houver um violino, você verá estampadas em seus rostos diversas saudades. Mas se a próxima faixa for alegre, será divertido observar. Verá que todo mundo é um pouco esquisito e também um pouco familiar.
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