domingo, 10 de julho de 2011

Não sei

Não sei se foi Platão ou minha mãe que me ensinou a ser metade incompleta. Sei apenas que sou (ou quase sou, por ser metade). Como se sozinha eu não fosse inteira, precisando sempre ser dois. Aprendi por inteiro a ser essa metade – e agora não sei desaprender. Meio feliz. Meio completa. No meio do caminho. E o meio que resta é pra ir – não tem volta.

13 comentários:

  1. Eu me vi metade quando minha irmã gêmea se foi...sempre me senti assim, uma metade viva do que eu queria ver inteira.

    Beijo.

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  2. nossa, que delicadeza...compartilho de cada palavra! :]

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  3. Nada nunca é completo.Isso sei o que é, mas não sei o por quê. Bravo.

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  4. Mas e quando é impossível ir?
    A vida vai levando a gente, mesmo que a gente não vá, eu sei. Só que, passar os dias não quer dizer sair do lugar, não é mesmo?

    beijo moça que admiro!

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  5. cris, acho que foi plutão, a mãe, a sociedade inteirinha. criaram o mito do amor romântico, a felicidade possível apenas para quem encontra a metade da laranja (acho que o fabio junior também tem influência nisso aí...). mas isso nos tolhe, diminui as nossas possibilidades de ser feliz, de aproveitar a liberdade de Ser felizes também inteiras e plenas sozinhas. acredito muito nos encontros felizes de pessoas que se sabem bem e inteiras antes mesmo de encontrar outras partes de si pelo mundo.... digo isso porque sinto assim como você. beijos.

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  6. lindo texto.
    no meu caso já é o contrário, não consigo deixar de ser só, nem consigo me unir, ou permitir.

    ok, sem dramas, aqui.

    seu blog muito inspirador. já sigo.

    grande abraço.

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  7. Que bonito, eu também tenho aquela sensação de ter que ser dois pra ser completa, sendo que a natureza humana não é assim, você nasci sozinha.

    Beijo querida, adorei teu blog, seguindo aqui!

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  8. Essa também sou eu. Mais pela metade do que nunca.
    Beijos, Cris.

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  9. É tão bom ler um texto e ver retratado nele aquilo que guardamos, mas sequer ousamos relatar. Adorei seu blog.

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  10. Infelizmente acho que todos nós nos sentimos assim.
    beijos

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  11. Metade


    Que a força do medo que eu tenho,
    não me impeça de ver o que anseio.

    Que a morte de tudo o que acredito
    não me tape os ouvidos e a boca.

    Porque metade de mim é o que eu grito,
    mas a outra metade é silêncio…

    Que a música que eu ouço ao longe,
    seja linda, ainda que triste…

    Que a mulher que eu amo
    seja para sempre amada
    mesmo que distante.

    Porque metade de mim é partida,
    mas a outra metade é saudade.

    Que as palavras que eu falo
    não sejam ouvidas como prece
    e nem repetidas com fervor,
    apenas respeitadas,
    como a única coisa que resta
    a um homem inundado de sentimentos.

    Porque metade de mim é o que ouço,
    mas a outra metade é o que calo.

    Que essa minha vontade de ir embora
    se transforme na calma e na paz
    que eu mereço.

    E que essa tensão
    que me corrói por dentro
    seja um dia recompensada.

    Porque metade de mim é o que eu penso,
    mas a outra metade é um vulcão.

    Que o medo da solidão se afaste
    e que o convívio comigo mesmo
    se torne ao menos suportável.

    Que o espelho reflita em meu rosto,
    um doce sorriso,
    que me lembro ter dado na infância.

    Porque metade de mim
    é a lembrança do que fui,
    a outra metade eu não sei.

    Que não seja preciso
    mais do que uma simples alegria
    para me fazer aquietar o espírito.

    E que o teu silêncio
    me fale cada vez mais.

    Porque metade de mim
    é abrigo, mas a outra metade é cansaço.

    Que a arte nos aponte uma resposta,
    mesmo que ela não saiba.

    E que ninguém a tente complicar
    porque é preciso simplicidade
    para fazê-la florescer.

    Porque metade de mim é platéia
    e a outra metade é canção.

    E que a minha loucura seja perdoada.

    Porque metade de mim é amor,
    e a outra metade…
    também...

    julho 5, 2007 in Ferreira Gullar

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